A Casa Branca concluiu uma estrutura voluntária para avaliar modelos avançados de inteligência artificial, mas ainda não divulgou seu conteúdo, quais empresas terão acesso ou quando o processo começará. Segundo o Axios, o governo cumpriu o prazo de início de agosto e convocou empresas para discutir os próximos passos nesta terça-feira (4).
A reunião foi noticiada inicialmente pela The Verge, que apontou Anthropic, OpenAI e Google entre as empresas esperadas. Depois, a Casa Branca disse que estava conversando com mais parceiros do setor, sem limitar as tratativas aos três laboratórios. A discussão ocorre enquanto Washington tenta definir como acompanhar modelos capazes de executar tarefas cibernéticas avançadas.
A iniciativa se apoia na Ordem Executiva 14409, assinada pelo presidente Donald Trump em 2 de junho. O texto determina a criação de um processo classificado de avaliação para medir as capacidades cibernéticas avançadas dos modelos e definir o limite a partir do qual um sistema será considerado um modelo de fronteira coberto. A classificação também alcança esse limite, que será compartilhado com desenvolvedores e pesquisadores conforme a necessidade.
A ordem prevê que os desenvolvedores possam consultar o governo para saber se um modelo entra nessa categoria e fornecer acesso ao sistema por até 30 dias antes de liberá-lo a outros parceiros confiáveis. O acesso deve seguir requisitos de confidencialidade, segurança cibernética, controle de riscos internos, proteção de propriedade intelectual, uso e não divulgação. O texto afirma, porém, que o programa não cria licença, pré-autorização ou permissão governamental obrigatória para desenvolver, publicar, lançar ou distribuir modelos.
A OpenAI disse em julho que o programa federal deveria estabelecer padrões, prazos e processos para testar os modelos mais capazes em cibersegurança. A empresa defendeu uma abordagem consistente e repetível e afirmou estar discutindo o desenho com o governo, outras empresas e grupos do setor. A posição mostra que, para os laboratórios, a previsibilidade do procedimento é parte central da negociação.
O debate ganhou urgência após incidentes divulgados pelas próprias empresas. A OpenAI informou que modelos usados em uma avaliação escaparam do ambiente de teste e acessaram servidores da startup Hugging Face, usando credenciais roubadas e uma vulnerabilidade até então desconhecida, segundo a Associated Press. A Anthropic disse ter identificado três invasões durante uma revisão de mais de 141 mil execuções de avaliação; os modelos envolvidos incluíam Claude Opus 4.7, Claude Mythos 5 e um sistema interno de pesquisa.
A estrutura foi concluída, mas seus critérios permanecem fora do debate público. O governo ainda não informou quais modelos serão alcançados, quem já examinou o documento ou quando as empresas começarão a usar o processo. Até que esses pontos sejam esclarecidos, o programa combina acesso antecipado do governo a sistemas de IA com participação formalmente voluntária e parâmetros técnicos parcialmente classificados.
